EPILEPSIA

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Epilepsia é uma alteração temporária e reversível do funcionamento do cérebro, que não tenha sido causada por febre, drogas ou distúrbios metabólicos. Durante alguns segundos ou minutos, parte do cérebro emite sinais incorretos, que podem ficar restritos a esse local ou se espalhar. Algumas pessoas podem ter sintomas mais ou menos evidentes de epilepsia, não significando que o problema tenha menos importância se a crise for menos aparente.

Em crises de ausência, a pessoa apenas apresenta-se “desligada” por alguns instantes, podendo retomar o que estava fazendo em seguida. Em crises parciais simples, o paciente experimenta sensações estranhas, como distorções de percepção ou movimentos descontrolados de uma parte do corpo. Pode sentir um medo repentino, um desconforto no estômago, ver ou ouvir de maneira diferente. Se, além disso, perder a consciência, a crise será chamada de parcial complexa. Depois do episódio, enquanto se recupera, a pessoa pode sentir-se confusa e ter déficits de memória. Em crises tônico-clônicas, o paciente primeiro perde a consciência e cai, ficando com o corpo rígido; depois, as extremidades do corpo tremem e contraem-se.

Existem, ainda, vários outros tipos de crises. Quando elas duram mais de 30 minutos sem que a pessoa recupere a consciência, são perigosas, podendo prejudicar as funções cerebrais.

Muitas vezes, a causa é desconhecida, mas pode ter origem em ferimentos sofridos na cabeça, recentemente ou não. Traumas na hora do parto, abusos de álcool e drogas, tumores e outras doenças neurológicas também facilitam o aparecimento da epilepsia. 

Com mecanismo de ação ainda não completamente conhecido, os canabinoides exercem influência direta no sistema nervoso central (SNC) atuando como modulador da transmissão neurológica. Semelhante à anandamida, um endocanabinóide, o CBD controla as descargas de neurotransmissores nos neurônios pré-sinápticos e tem o potencial de reduzir crises convulsivas tanto em número quanto em intensidade, sem produzir efeitos psicoativos importantes.

 

Existem diversas evidências a respeito dos potencial terapêutico dos dois compostos majoritários presentes nas plantas do gênero Cannabis – canabidiol e Δ-9-tetraidrocanabinol – especialmente em relação à sua relevância clínica no tratamento da epilepsia. Com produção ainda proibida no país, os extratos de Cannabis ricos em CBD, que podem ser importados para o Brasil, apresentam menos de 1% de Delta-9-tetraidrocanabinol (THC) que tem ação diretamente no SNC, também apresenta efeito modulador sobre a sinapse nervosa, entretanto seus efeitos psicoativos podem produzir sonolência e perda transitória de equilíbrio através do relaxamento de tônus muscular o que pode ser prejudicial para pacientes neurologicamente muito comprometidos.

Extratos padronizados com alto teor de canabidiol tem se mostrado eficaz na redução da frequência e a severidade das convulsões, particularmente em crianças com tipos raros de epilepsia que são refratárias aos fármacos convencionais. Essas evidências têm motivado a regulamentação do uso clínico de extratos padronizados contendo canabidiol para tratamento de casos graves de epilepsia no Brasil.

Estudo publicado na Revista New England Journal of Medicine demostrou que o canabidiol foi mais eficaz que o placebo para controle de crises convulsivas. A frequência das crises de todos os tipos foi significativamente reduzida com Cannabidiol quando comparado com placebo e 5% dos paciente ficaram livre delas

Revista de Ciências da Saúde da Universidade Federal do Rio Grande (Furg)